Era uma manhã fria e cinzenta, num contraste de cores; um negro pálido firmava-se, enquanto inutilmente o dourado se esmerava em resplandecer. Se o céu não estivesse tão raso e até quase turvo, podia dizer que estava um lindo dia. O ar parecia uma espessa massa de fumo divagando pelo espaço. Um certo cheiro de desgraça pairava no ar, um silêncio dorido se focinhava pelo espaço, os pássaros não cantavam, como se silenciassem o tempo. Uma intensa poeira marcava presença dentro do quarto escuro e sombrio da insólita casa. Quando Alva despertou encontrou Pedro, com as roupas todas rasgadas, amarfanhado, e com marcas de sangue por todo o corpo, denunciando uma luta muito renhida havida. Ele gemia dorido. Já se podia prever de antemão que um dos seus trabalhos não havia corrido como se esperava. Pedro tentava abrir os olhos, esforçava-os, tentava mover os braços, mas não conseguia. Havia sido uma luta muito renhida, como podiam claramente provar os resquícios. Alva não entendia aquilo tudo, no entanto, sabia que estava a perder tudo que lhe era mais precioso; o seu amado.
Alva agachou-se sobre seu próprio corpo, depositando os seus joelhos no chão frio, segurou seu corpo, como se quisesse fazer toda a dor dele caber em si. Seus olhos divagavam entristecidos por aquele cenário, pois enxergava que nem o amor que os unia era suficientemente forte para fazê-lo desistir daquela ambição desmesurada. Vendo-o ali, sofrendo tanto, ela sentia-se igualmente ferida. Num instante dos seus olhos uma lágrima dorida quedou, e tombou sobre a face de Pedro, este não reagiu, estava demasiadamente fraco. Seu corpo minguava, Alva deu-lhe um beijo, mas não desses beijos comuns. Deu-lhe um beijo com a boca da alma, para lhe sugar a dor, pois é na alma onde reside a essência de tudo. O corpo é somente um recipiente. Quando sugou o último fiapo do seu amado, este sossegou, como se estivesse sendo embalado nos lábios do mar. E assim era, naquele instante, Alva fazia uso da arma mais poderosa que as mulheres detêm; o amor. Uma mulher que ama, consegue abrir todas as portas, e até mesmo a da vida. É por isso que somente as mulheres foram concedidas a dadiva de conceber.
Alva sabia que a vida toda foi gerada no ventre de uma mulher, chamada natureza. A deusa das florestas, dos rios, das aves, da vida. Essa a quem se atribui o esplendor de tudo de belo que o homem enxerga.
Alva fechou os olhos, num pestanejar lento, e com as mãos em concha ela foi colhendo as lágrimas do seu rosto, que reluziam como labaredas de luz. E cada lágrima que colhia do seu rosto, ela depositava nos lábios de Pedro, enquanto que quase num murmúrio, ela cantava canções de infância. Quando sua mãe, Rosalinda, esperava seu pai Revoltácio regressar de suas andanças pelos caminhos sem volta. Ela ali ao pé do seu amado, sentia-se como sua mãe, que perdera o seu homem para o infinito. Revoltácio, era um homem pouco resignado a si mesmo. Dizia por vezes, que burro esperto dorme em pé, para não perder a viajem. A sua maior paixão era algo que ele pouco entendia, mas que no entanto, sabia que residia além do horizonte. Segredado na lonjura que não se revelava aos seus olhos. Um dia, encontraram-no como sempre fazia, sentado na varanda da sua casa, com os olhos apagados de brilho, como se os tivesse emprestado ao dia ensolarado que se fazia. Rosalinda sua esposa, ainda tentou soprar-lhe algumas palavras, esperando alguma resposta sua. O homem estava completamente ausente de vida. Os olhos estavam simplesmente depositados sobre o horizonte. Assim morreu Revoltácio. Morreu na lonjura do infinito, amando o que ainda estava por vir.
Friday, June 30, 2006
Monday, April 10, 2006
O País dos bolsos furados
Havia um País no meio do nada, tão pobre que ninguém o conhecia, passando deste modo para o anonimato. De tão anónimo que o País era, nem constava no leque dos tão afamados dez Países mais pobres do mundo. Nesse País a miséria era tanta, que nem os olhos cabiam no rosto. Falo-vos do Pais dos Bolsos Furados.
O País dos bolsos furados, não era mais um desses Países que se mostram pela televisão, onde somente é desfilada a sua desgraça e crianças desnutridas, para sensibilizarem alguns fundos internacionais. Era sim, um País que não tinha pobres, tinha sim, desgraçados. Era um País que não produzia riquezas, produzia antes, tristezas. Não havia nem mendigos e nem ruas, pois para que haja mendigos tem que haver esmolas e, para que haja ruas é necessário que haja verbas para as construir.
Mas não pensem que não havia salários, havia sim, só não havia assalariados, pois o salário devia ser somente para pagar os impostos e as dívidas com o Estado.
O mais impressionante nesse País, era o facto de não haver nem policia e, nem ladrão, desculpem-me ladrões havia, mas isso é lá para frente. E, quanto aos policias, a muito que deixaram de existir devido a falta de fundos para custear seus gastos.
Durante o desenrolar dessa história, surge um homem que não conseguiu ficar indiferente a todo aquele cenário de opressão e exploração refiro-me a: Revoltácio Fominha.
Revoltácio, despertou toda uma manifestação Nacional. Desencadeou muitas ondas de revolta contra o regime então instaurado e, não demorou para que fosse o homem mais amado pela pátria.
A população conseguiu guiar aquele homem tão digno de si mesmo até a liderança da pátria, foi então, nomeado Presidente da República.
Depois de algum tempo a frente da liderança, descobriu o motivo de tanta desgraça, viu que em vez de costurar-se os bolsos do povo, costurava-se as calças dos políticos e, enquanto o dinheiro caía no bolso do povo, no bolso dos políticos ele ia aumentando, aumentava tanto que os bolsos quase que nem cabia nas calças.
E, o que fez ele...? Maravilhado com tanta luxúria que o dinheiro podia proporcionar-lhe, decidiu costurar as suas calças e mandar confiscar todas as agulhas e linhas de todo o País e, emanaram-se leis novas, nas quais nenhum cidadão devia possuir em sua casa, nem agulhas e, nem linhas. Todos os costureiros passaram ao desemprego e a uma situação total de penúria.
E, mais uma vez a esperança de um povo deixava-se corromper por alguns vinténs.
O País dos bolsos furados, não era mais um desses Países que se mostram pela televisão, onde somente é desfilada a sua desgraça e crianças desnutridas, para sensibilizarem alguns fundos internacionais. Era sim, um País que não tinha pobres, tinha sim, desgraçados. Era um País que não produzia riquezas, produzia antes, tristezas. Não havia nem mendigos e nem ruas, pois para que haja mendigos tem que haver esmolas e, para que haja ruas é necessário que haja verbas para as construir.
Mas não pensem que não havia salários, havia sim, só não havia assalariados, pois o salário devia ser somente para pagar os impostos e as dívidas com o Estado.
O mais impressionante nesse País, era o facto de não haver nem policia e, nem ladrão, desculpem-me ladrões havia, mas isso é lá para frente. E, quanto aos policias, a muito que deixaram de existir devido a falta de fundos para custear seus gastos.
Durante o desenrolar dessa história, surge um homem que não conseguiu ficar indiferente a todo aquele cenário de opressão e exploração refiro-me a: Revoltácio Fominha.
Revoltácio, despertou toda uma manifestação Nacional. Desencadeou muitas ondas de revolta contra o regime então instaurado e, não demorou para que fosse o homem mais amado pela pátria.
A população conseguiu guiar aquele homem tão digno de si mesmo até a liderança da pátria, foi então, nomeado Presidente da República.
Depois de algum tempo a frente da liderança, descobriu o motivo de tanta desgraça, viu que em vez de costurar-se os bolsos do povo, costurava-se as calças dos políticos e, enquanto o dinheiro caía no bolso do povo, no bolso dos políticos ele ia aumentando, aumentava tanto que os bolsos quase que nem cabia nas calças.
E, o que fez ele...? Maravilhado com tanta luxúria que o dinheiro podia proporcionar-lhe, decidiu costurar as suas calças e mandar confiscar todas as agulhas e linhas de todo o País e, emanaram-se leis novas, nas quais nenhum cidadão devia possuir em sua casa, nem agulhas e, nem linhas. Todos os costureiros passaram ao desemprego e a uma situação total de penúria.
E, mais uma vez a esperança de um povo deixava-se corromper por alguns vinténs.
poema para ti
Não me perguntes por que te amo
pergunta-me antes, por que não te amaria
e eu te responderei:
— Não te amaria, se não houvesse em ti
este sol por despertar, esta sede por matar,
e esta interminável doçura que te habita.
Eu já te amava e te adorava
antes mesmo da invenção da palavra.
Creio que não sabes,
mas tu és esta chama fria
esperando ser encarnada
na alma...És este sentir
que constrói mundos
e move corações...
Não me perguntes por que te amo
pergunta-me sim, o quanto te amo
e eu te responderei:
— Não existe palavra tão intensa
em que caibas completamente, pois tu és
este vazio ainda por preencher, o qual não se
basta nunca...
Sabes,
por vezes um simples olhar teu
desperta um lento fogo em mim
que sem demora enche-me de atrasos
e logo sei o quanto estás distante...
Mas não te preocupes
que em meu olhar
ainda reluzem as tuas pegadas
denunciando-te sob o horizonte...
pergunta-me antes, por que não te amaria
e eu te responderei:
— Não te amaria, se não houvesse em ti
este sol por despertar, esta sede por matar,
e esta interminável doçura que te habita.
Eu já te amava e te adorava
antes mesmo da invenção da palavra.
Creio que não sabes,
mas tu és esta chama fria
esperando ser encarnada
na alma...És este sentir
que constrói mundos
e move corações...
Não me perguntes por que te amo
pergunta-me sim, o quanto te amo
e eu te responderei:
— Não existe palavra tão intensa
em que caibas completamente, pois tu és
este vazio ainda por preencher, o qual não se
basta nunca...
Sabes,
por vezes um simples olhar teu
desperta um lento fogo em mim
que sem demora enche-me de atrasos
e logo sei o quanto estás distante...
Mas não te preocupes
que em meu olhar
ainda reluzem as tuas pegadas
denunciando-te sob o horizonte...
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